segunda-feira, 23 de julho de 2012

Velório de pobre, morre Zé das Cove (da vida a gente não leva nada)

Cemitério do Barranco, Linha Nossa Senhora do Caravaggio.

padre gago,
bíblia rasgada,
viúva fiasquenta,
 

cheiro de suvaco, 
caxão de papelão,
cemitério no barranco,

beberam o morto altazoras,
bêbado caindo por cima do povo,
carpideira fincando colírio no "zóio",
cunhado pedindo dinhero emprestado,
Nego Zaroio fazendo brique de gaiola por papagaio no meio do sermão,
os "fio" se tramelando no facão por causa da herança (um burro e uma carroça)
foram enterrar o morto tropicaram no barranco, caiu um garraio dentro da cova...


Enterraram junto o piá... Velório de pobre é embaçado, hoje morre o caboclo Zé das Cove, 80 anos no lombo, 68 anos capinando num lotezinho de 15x15 onde plantava couve-flor, alface, abóbrinha e alho. Levou um balaço no peito durante uma briga no bar do Potiguara, ele nem tinha nada que ver, só foi pegar um leite fiado pra dar pro seu piazinho.

Zé não vai receber nome de rua, nem receber monção honrosa na câmara, seu velório é humilde, palpérrimo, cheio de confusão, mas a saudade da família é grande, hoje eles voltam pra casa sem ver o "vétio" com a cuia na mão, sorrindo pro nada, sem seu abraço apertado e suas prosas que brilhavam os "zóio dos fio" de alegria
.

O homem que plantava, agora é plantado, pra virar adubo... Fica a saudade, porque de resto é como ele mesmo dizia: "da vida a gente não leva nada".



Se alimentou bem hoje? Então agradeça ao produtor rural
(não o latifundiário que planta soja,
mas sim o pequeno produtor)




terça-feira, 17 de julho de 2012

Vitorino: Uma História feita de Lembranças

Gracias a Roberto Pocai por invitarme a participar de este blog.
En el libro Vitorino: Uma História feita de Lembranças, publicado em Dezembro de 2003, eu e o Professor Jaime José Bertol vasculhamos as memórias do interior e da cidade. Com base em entrevistas com moradores antigos (gravadas para manter na grafia a pronúncia original) e, em documentos que remontam à Real Expedição ordenada por D. João VI em 1836 para a ocupação dos Campos de Palmas. Aos poucos trarei pequenos relatos deste livro, entre eles:
1-A verdadeira história do Índio Vitorino;
2-Como surgiu a Serra da Fartura;
3-Como as terras foram ocupadas;
4-Quem foram os primeiros moradores e de onde vieram;
5-Como eram as casas, os bailes, os casamentos, os velórios;
6-As famosas visitas dos padres;
7-Como os porcos eram tropeados;
9-A primeira escolinha de futebol e os vários times e campeonatos;
10-Os resultados de todas as eleições para Prefeito e Vereadores desde a emancipação em 29 de Novembro de 1961.

E aí vai. Tem cada locurage que é de sartá butiá dos borso (cada borso é um saco de 60kg, como dizia o Zé do Pito).
Leandro Zago.

terça-feira, 10 de julho de 2012

sertão news: Degladeio na Festa Junina de Mangueirinha

Tigre é acostumado a presenciar degladeios
fortes entre metaleiros e roqueiros,
mas assume que nada de compara
às Festa Juninas de MangueCity.
Mangueirinha, 27 de junho de 2012.

Nosso novo correspondente vindo da Terra dos Kaingang, o Sensei Ed Motta Tigre ligou ao vivo na nossa redação e fincou pra nós um relato advindo dum dos maiores degladeios do interior do Paraná: A FESTA JUNINA DA PARÓQUIA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MANGUEIRINHA!!!


"Piazada do céu, aqui o pau tá torando!!! Casca de pinhão pra todo lado,
cerveja quente, mulherada sapatiando por cima das latinha e o vanerão comendo solto!
A piazada dando tapa na bunda das "novinha". Acabei de entrevistar o gaiteiro do degladeio, Zé da Gaita: "estamos no fim do respeito, esses piá de bosta, logo vô erguê no cacete, as festa de hoje em dia não são como antigamente, agora a piazada anda muito marota, já fincando dedo na xana das minina, querendo ver o pau torá cedo, não dá nem 11 hora da noite as menina de 12 ano já tão tudo grávida".
E quando você imaginava que era só os loco que tavam "beúdo" de quentão e que ia ter um atendimento que preste, nãããão, aí já é pedir demais. O home que vendia as ficha podre de looooooko, se monguiando, dando troco a mais, prejuízo pra Paróquia. E na hora de pegá a béra, você acha que era susse? Nããão, uma fila dos dianho, a piazada servindo cerveja com galocha pra não "moiá os pé e pegá friera".

Me boliei com uma china pro meio do salão intuiado de gente, negada se pisando nos garrão um do otro, o cheiro do povo era uma mistura de pinhão, suvaco e peido. Um respeito que vô te falá home do céu, os loco se cutucando, os otro se chamando de "fiadaputa".
 Os banhero virado em praga home, os mijadô intupido de naftalina, mas pra quê? Os loko mijam mais no chão do que nos mictório, os vaso intupido de vômito, troço e casca de pinhão. Sério home, não vô comê pinhão pro reeesto da vida.
Do lado de fora, um cabeludo levou um surdão na "oreia", enquanto as menina "oiavam" ele toca um Raul Seixas na Viola, o gringo Viriato desmontou o piá e falou: "seu pelego, isso é música de maconhero".
Uma catrefa de loko, tomando pinga de prástico, o polaco Nego Zorba com o facão moquiado na cinta, esperando algum piá sair sozinho pra puxar briga e pulá no loko. Zorba relatou: "como não achamo ninguém pra brigá, vamo se fincá no braço nóis memo já já, como de custume"
Quem não pegô muié, tameim quer arrumá briga. E é isso aí, começou o rolo de pau e foi meio que geral o fecha-pau na saída, entrevero de bordoado, risco de facão no calçamento, tirambaço de 22 pra cima, gritedo e diabaria.
 Os tranquera que começaram a briga correm pro mato, a polícia aparece mas prende só os "beúdo", os véio tchuco que tavam estirado no chão e não tinham nada a vê com o pexe.
Outros finalizam a noite na pracinha, tomando um gole na parceria. "3 da manhã, ainda é cedo" diz um deles, o outro responde "tá baaraaaato home". Pra variá, carro patinando, e já começa outro entrevero de pau, moto impinando, gritedo, estraveio de gente. Ihuuuuuuul!!!

...E de repente, a cidade volta a ficar deserta, pra onde esse povo foi ninguém sabe, ninguém viu, mas uma coisa é certa, depois que o gole pegou e o pessoal volta a ficar lúcido e sóbrio a união acaba.
Conforme você lê o post,
você percebe que nosso correspondente
foi ficando mais bêbado.
"Aqui falou Ed Motta Tigre para
a redação do SERTÃO NEWS"
.
Nada une a população de MangueCity, futebol não é consenso, religião não é consenso, política não é consenso... Chego a uma reflexão: Apesar da bebedeira, da violência descontrolada e da diabaria total, parece que o DEGLADEIO é o único momento em que a população está unida.
 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Uma singela homenagem ao porteiro de zona: Leandro Czerniaski, nosso Correspondente Beltronense dos barranco da beirada do rio Marrecas

"A gente sai do mato
mas o mato não sai da gente"
Apavorando na conquista
do Tetra! Muita Treta!
Oh polaco, demonho do taquaral!

Home véio, que nesse dia você relembre todas tuas peleias e degladeios, celebrando na memória os desafios de viver nesse sertão amado e virado em praga.

Saboreie um mate caboclo e tente esquecer as velhas cagadas que tu fizeste nesse reboleio de bosta que é o mundão véio: as vezes que vocês se estrupiou de carrinho de rolimã nos morro, que tu caiu pelos barranco do rio Marrecas, os farrapo de ropa depois de pula a cerca e fica com as zorba presa nos arame, que tu enxeu a zorba depois de come os cogu da bosta dos boi, o chinaredo que você se boliou na zona e principalmente os tiro nas cueca que tu levou sendo Ricardão da madrugada...

Mas acima de qualquer bobera nossa, sorva esse mate e lembre desse piá de bosta que queria tá aí recebendo a próxima cuiarada e que te considera demais e deseja muita luz no seu caminho, muita paz no seu andar e muito amor onde você for.

Um abraço desse loko que te curte pra ca#$%io.

Juntos dos bugre do mato sapecando
pinhão na linha Cornélio Ribas
"Vamo se boliá"



Nem tem muito o que falar na verdade! Tu sabe piá que teu jeito humilde e tua simplicidade já falam muito por você! Vamo home, te convoco mais uma vez a se aventurar nessa Utopia que é o Paraná Véio de Deus!

domingo, 1 de julho de 2012

sertão news: Bioconstrução, plantas medicinais e o degladeio nas ruas de Pato Branco

Teia da vida (Hai-kai)

As árvores eram obstáculo,
o desejo era o progresso,
o sonho era vernáculo

Mas vimos nosso retrocesso,
vemos aí um grande tentáculo,
com um novo mundo sem excesso

Abandonamos as guerras,
fortalecemos as raízes,
plantando a semente na terra

Vimos nas plantas nossas cicatrizes,
e a dor produzidas pelas cerras,
Hoje não somos nada além de aprendizes,

Canelas, Cipós, mates, fruteiras, araucárias,
brotam no sonho na fruta amadurecida,
tudo apenas para nossa alegria diária,

Certezas abandonamos hoje somos quem duvida,
vemos o manto natural como nossa indumentária,
onde nossa verdadeira conexão forma a teia da vida.


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Pato Branco, 30 de junho de 2012

Chás que beneficiam a saúde e o bem estar, ecomoradias que provocam impacto zero no meio ambiente, os usos da astronomia para o conhecimento humano... Isso e muito mais foram as discussões presentes no 1o. ENCONTRO PATO-BRANQUENTE SOBRE BIOCONSTRUÇÃO, PLANTAS MEDICINAIS E ASTRONOMIA.

Uma grande oportunidade não só para pensarmos nossa ação sobre o meio ambiente, mas também para descobrirmos que é em harmonia com a NATUREZA que podemos trazer soluções para nosso dia a dia.

Ainda assim, muito além de apenas otimizarmos o futuro, precisamos repensar medidas pra mudar a realidade no presente e principalmente em nossas ações.

Está em andamento o projeto de lei do "IPTU VERDE" criando incentivos financeiros a quem utilizar materiais como tijolo ecológico e telhado verde ou implantarem ações como programa de separação de lixo domiciliar, plantio de árvores na calçada de casa, utilização de fontes de energia renováveis, como a solar, reuso da água, entre outros.

Saudamos os organizadores do evento, a Fundação UIRAPURU, os participantes e os membros do poder público que se identificarem com esse projeto de lei.
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E por falar em poder público...
"Negada, vamo se fincá e mete sangue
novo nesse ano de eleição"
complementou Seu Anacreto

Chevetão azul, desceu o decidão da rua Ivaí, moeu o cárter, os amorteceddor e chegou de dar um pialo, quase um ataque cardíaco no peito do véio Anacreto que fumava um cigarro importado Mills (do Paraguaizão). O véio ta virado num saci de brabo.

Apesar da pavimentação de algumas ruas do CENTRO da cidade, os bairros vem sofrendo com os buracos nas ruas. "Diabedo, pra eles o pessoal dos bairro que se lasquem, eles não tão nem aí, só andam no centro mesmo esse caquedo" disse Seu Anacreto do bairro Morumbi.

A tese de progresso em Pato Branco se coloca em contradição com a realidade, ela se esfacela entre as pedras britas espalhadas.

É PAU E PAU!!!
Na rua Ivaí a acumulação de britas detonaram o cárter do Chevette do véio Duns aqui no bairro Pinheirinho: "Tamo cansado dessa cambada de loko que só róba a gente com imposto e fincam no nosso c$% com essas m!@#$% de rua podre do c$%*@#, o Nene vai tê que mandá troca tudo os amortecedor do carro, pacaba home do céu".

Oportunizamos esse momento para lembrar da construção do viaduto e das marginais em torno do bairro Planalto.

No Brasil, os maiores casos de desvio público estão nas obras de pavimentação. Ao invés de uma ampliar as cadeiras das faculdades, fortalecer a saúde pública, os nossos deputados que vem aí pedir votos trouxeram aquele punhado de rua que não precisavam ser construídas. E tem loke falando nas rádios e nas ruas que por isso Pato Branco é melhor que Beltrão.

Esse é um ano eleitoral e esse pessoal vai querer ficar mais 4 anos no poder.
As rádios e os jornais informaram, pouco se viu de avanços políticos nesses últimos tempos. Muitas votações na câmara apenas pediram aumento dos salários, moções de aplausos e favorecimento de grandes empresários com licitações e isenções fiscais.

Essa piazada só vê o lado deles, você não acha? Isso é só uma pergunta mas e VOCÊ VAI VER O SEU LADO QUANDO?

domingo, 24 de junho de 2012

24 de junho: Dia da Araucária

"Sobre as araucárias, 
os quero-quero não sobem galhos, 
eu sinto ali as geadas,
com sabor de doces orvalhos...

Olho nos olhos do povo, 
o sonho dessa gente, 
faz brotar um mundo novo 
quando plantada a semente"
(trecho do poema "Somos sertão, somos sudoeste")


Mata das Araucárias (fonte UFF):

Como o próprio nome indica, a árvore predominante na paisagem é a gimnosperma Araucaria angustifolia, o pinheiro-do-paraná (Figura 3). Somada a este, a vegetação é constituída também por arbustos, como samambaias e xaxim, e gramíneas. Estudos revelam a existência de nove variedades de araucárias, ocorrendo em diferentes associações com espécies vegetais de grande importância econômica, como a imbuia, a canela lageana, o pinheiro-bravo e a canela sassafrás. Neste bioma, encontramos o mate (erva-mate), que apresenta grande importância econômica, principalmente para a população do Sul do país que a utiliza na preparação do chimarrão. Esta última também tem valor ambiental, pois é explorada no sub-bosque da floresta (Copobianco, 2007).

O clima da região é temperado, as estações são bem delimitadas: verões razoavelmente quentes e invernos bastante frios, com geadas freqüentes. As precipitações atmosféricas são regulares e abundantes. As copas das árvores não formam uma camada contínua, como ocorre na floresta Amazônica e na mata Atlântica. E, por serem mais abertas, são menos úmidas dos que as florestas pluviais tropicais (da Silva Júnior & Sasson,1995; Paulino, 2002; Uzunian & Birner, 2001). 

 

Os pinheiros podem ter troncos com um metro de diâmetro e atingirem 25 a 30 metros de altura. Só se vê ramificações no topo da árvore, o que lhe dá um aspecto de guarda-sol. Isso ocorre pelo fato de os ramos mais baixos, que ficam na sombra, serem eliminados, pois a araucária é heliófila, ou seja, uma planta de sol. Suas sementes, os pinhões, são um rico alimento para muitos animais e para o homem (da Silva Júnior & Sasson,1995). 

Localiza-se no sul do Brasil, estendendo-se pelos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esse bioma foi intensamente devastado, de modo que, atualmente, a porcentagem de mata preservada não chega a 2% (Uzunian & Birner, 2001). Deste pouco que restou das matas de araucárias, apenas 40.774 hectares se encontram legalmente protegidos em 17 Unidades de Conservação, perfazendo um total de 0,22% da área original Copobianco, 2007).

quarta-feira, 6 de junho de 2012

sertão news: Inauguração da patente em São Miguel e o causo dos haitiano

10 de junho, São Miguel d'Oeste - SC 


Vereadores inauguram patente no Arroio Veado; “agora eles têm lugar pra fazer as cagada”, diz oposição

Linguiçada e foguetório,
"os políticos tão apelando cedo, negada"
analisou nosso crítico político Zé Coró
Por Leandro Czerniaski – Correspondente Beltronense dos barranco da beirada do rio Marrecas

Uma solenidade política com fogos de artifício, carreata e gole na faixa marcou a inauguração da patente comunitária de Jacutinga do Arroio Veado, interior de São Migué d’Oeste. A obra foi construída às pressas após a pressão da comunidade local, que chegou a dar de presente um balde cheio de bosta pro prefeito.

Nos discursos, após cortar a faixa brilhante, as "otoridades" enalteceram a necessidade de levar um tal de saneamento básico à comunidade de Arroio Veado. Nego Várdo disse que esse loco pode até vim, "má que não se tentiê pra cima das muié, senão vão atropelá na base da faconada e tiro de sal na bunda". O governador Colombo confirmou presença na inauguração, mas não compareceu devido à “imprevistos”. Ainda bem, senão ia saí de lá co lombo ardido de pau.

Para simbolizar a inauguração da obra, o vereador Jacinto Bucho Frôxo, arriou as cárça e lambuzou as alpargata, demonstrando a qualidade da obra. Depois não convidaram ele nem pra foto oficial.

A oposição classificou a prática como “suja”, literalmente, e disse que a obra foi feita em favor próprio do prefeito, acostumado a fazer suas cagadas. Em resposta, o chefe do executivo disse que vários de seus pares poderão desfrutar do local, já que tem muito político caganêra pelas redondezas.

O degladeio com linguiçinha e gole na faixa terminou só quando o sol apareceu e as moças de família se recolheram às suas moradas. O evento não registrou nenhuma morte, só um faquiado no fígado.
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acesse o Portal: NO PARANÁ É ASSIM

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Chico fitando as "muié" na praça de Vitorino e
enquanto contava o causo
Isso lembrou o nosso comentarista Chico Trovoada  (add no face) que contou uma prosa dos cara que tavam indo pro baile de Rincão Torcido:

"Diz que descia o Gringo Rebosteio de uma colina depois de sair da patente, nem sabugo na casinha tinha. Rebosteio passou a mão nas pregas do seu toba e estoletiou o rebosteio na parede do lado duma imagem duma sensual índia nua com seus peitos exuberantes e seu corpo de viola na capa de uma revista Cruzeiro. Descendo o barranco, não se ligou do estado que estava sua mão e foi logo torcendo o bigode.


Chegando no trator foi logo questionado pelo quietão Zandoneno que nunca falava mas tinha se ligado o que tinha acontecido e logo não perdeu a tirada:



-Véio, como que tu faz pra deixar o bigode lustroso desse jeito?

-É que eu TRÓÇO todo dia.

Confira o causo completo aqui.

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11 de Junho de 2012, perto da geada mortal do Apocalipse no sertão sangrento
Nas beiras do rio Ligeiro, do lado do Ligeirinho Martelinho de Ouro, no Bairro Pinheirinho em Pato Branco-PR.
A comunidade haitiana ocupa 2
casas no bairro Pinheirinho,
compartilham sua cultura e trabalham
para sobreviver

Essa Historia veio ligeiro no meu ouvido debaixo de um pinheiro de Araucária, fui fazer umas entregas e me contaram "A dos Haitiano".

Um bigodudo badanha de rico fincou que os haitianos que trabalham na Seva tinham fincado numa raparriga adeeevogada em oito. Pau e pau (8x) no motel. Perguntei quem era a "doctora" que motel era, o tio se esmunheco e deixou escapar que ele apenas tinha ouvido falar num boteco que servia Chopp em frente aos posto, onde a piazada vai dar cavalo de pau e tocar som alto.


Diz que os home na madrugada passada levaram a mulher a loucura porque ela queria ver a "coisa preta" e batatiaram a loca até ir parar na UTI.


Esses dias, antes de ouvir falar dessa lenda, conversei com os tal de haitiano (os que existem de VERDADE) que moram no bairro Pinheirinho, em frente ao baile do Gaúcho, eles iam entrar la curtir o som da vanera que tava rolando, falamos sobre sons como Salsa e Tango.


Eles saboreiam nossas vergamotas, diz que trabalham e agradecem pelo dinheiro que conquistam, cumprimentam as pessoas na rua por onde passam... Mas isso nunca foi o suficiente, algum loko arrumou tempo pra DISCRIMINAR os cara.







UM ABRAÇO HAITIANADA DO MEU BRASIL!

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Novo Dicionário do Sertão do Paraná


Coisas que só se escuta no Sertão. Fomos á fundo, em bodegas, rodas de chimarrão de nonas e matinês fura bucho pra oficializar novos termos da nossa ortografia. 

Outros termos estão disponíveis no Autêntico Dicionário do Sertão do Paraná.





Atentado: pessoa corajosa, inconsequente, tal qual o piá do véio Arduíno que foi tacá pedra no terneiro e levô um coice nos bago. 

Acalcá: pressionar, que nem os loco que acalcam as muié dos outro ao som do Mano Lima. Tão co coro prometido, esses.

Atracá: fazer algo; brigá; atirá.

Anca: região do corpo que vai da cintura às coxas, avaliada como critério para uma união estável. 

Atiçá: provocar. Que nem quando o gringo Bozzi invento de jogá brasa na muié dele e depois apanhô da véia ca pá da polenta na mão.

Acudí: foi o que os filho do gringo Bozzi tiveram que fazê co véio, mas ficô três dia em coma.

Bustica: quando algo dá errado, fora do planejado. No diminutivo (bustiquinha) é algo pequeno.

Borçudo: aquele que sempre tá cheio de recursos financeiros e – consequentemente – de pelegaiada.

Bobaião: o editor deste blógue.

Chenela: calçado elaborado a partir da junção de sola e tira. Ou...

Carniá: matar qualquer bicho para fins de consumo. Uma vez que o nono carniô uma porca meu tio queria se matá dizendo que a vida dele não tinha mais sentido sem ela.

Churriu: anomalia biológica temporária que acelera o funcionamento dos intestinos. Geralmente ocorre na Páscoa e Natal. 

Diacho: evocação do Coisa Ruim em xingamentos; blasfêmia. 

Empardá: quando, numa disputa, um concorrente alcança o outro.

Garraio: piá pequeno.

Guêvo: ovos, não de codorna; humanos.

Guavirova: doença que ataca a piasada e causa anemia e pelos nas mãos. A longo prazo, segundo sociólogos, também causa a diminuição demográfica de uma região.

Istrafêgo: o mesmo que rebuliço.  Foi o que fez o véio Gerardo quando um bugre chegou na casa dele co jumbrelo de fora.

Ispicúla: curioso, quem pede muito.

Imundíça: sujo.

Jaguara: cachorro sem raça... e serventia.  

Muntuêra: qualquer coisa em grande quantidade, geralmente gente.

Nenê: filho mais novo do gringo Rebosteio.

Puduncho: mesmo que pidão. Exemplo: o cara tá curtindo a vibe no risca-faca e chega um amigo: -dá um gole desse bulicão aí. –não! –então impresta cinco pila. –também não. -quê se tem no borso? –é colírio. –então me pinga uma gota no zóio aí.

Putiá: sin. de “se fresquiá” (se for um alemão falando, é aquela fruitinha tipo coquinho).

Rebosteio: confusão, gritaria, garrafa quebrada e sangue no chão no fim das festa de comunidade (é quando o matinê acaba).

Réco: zíper.

Rodopeio: giro, movimento em torno de um eixo.

Serpelo: membro masculino com tamanho acima da média (que no Sertão, segundo o Inmetro, é de 23cm).

Trubisco: qualquer coisa da qual não se lembra o nome no momento. Tipo aqueles trubisco lá que tem nas casa, uns piquininho, meio verde, ah, dexe quieto.

Tchaca-tchaca na butiaca: “J

Tchuco: pessoa em estado de embriaguez contínua, beudo.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sertão news: Inflação do pinhão no sertão, Belo Monte de BOSTA e outros bichos mais

A semente não se encerra num fruto
gera espécies gminospermas como a
pinacaes e a araucariaceaes
ainda é base da alimentação de vários
povos do Paraná véio.
sertão news

Guarapuava, 02 de maio de 2012

Rodando com a velha Intruderzinha 125 pelos matões da Serra da Esperança, cruzando cachoeiras e araucárias centenárias, trombei diversos caboclos do mato na beira da estrada vendendo pinhão.

O que me surpreendeu não foi a simpatia dos vendedores, nem sequer seu empenho em garantir o pão de cada dia, mas sim o preço da semente que em alguns pontos já chega a R$ 4,00 o kilo. O bicho tá pegando.

E não é somente os caboclos de Guarapuava, mas também os Kaingang de Mangueirinha, os gringos de Coronel Vivida, os polacos de Prudentópolis, os "ucraínos" de Irati e a alemãozada de Candói.


A razão para tal preço exorbitante não se encontra numa suposta "ganância" dos vendendores, mas sim nos altos impostos cobrados sobre eles. "Nóis já temo que pagá muita coisa, é investimento nas propriedade, financiamento de máquina agrícola, conta de água, luz e outras diabarias que o governo finca no nosso rabo, ainda temo que pagá uma licença para ocupá temporariamente as beiras das rodovias mesmo que a gente tente ganhá o pão de cada dia, é uma facada no bucho home do céu" disse seu Jão, caboclo vendedor de pinhão há 20 anos.

Ainda lembrou das invernadas quando o velho chão do sertão era manchado pelo vermelho da pinhãozada. A semente proporcionada pelas mãos da Mãe-Natureza era base da alimentação dos moradores da região, desde os índios até os gringos, todos metiam o "pinhão véio" na chapa ou cozinhavam-nos em panelonas de barro.

Hoje a fartura não é tanta, já que 80% da mata nativa foi violentamente derrubada na região, a semente que gerou a árvore da vida no sertão hoje já não tem tanta oferta e a tendência é que o preço aumente ainda mais, fincando a faca nos loco ainda mais.

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 Enquanto isso em Belo Monte...


Muito além do tempos atuais de consumismo e perda dos valores, devemos
abrir nossos ouvidos ao silêncio das matas, tentando abrir os olhos e ver os povos que dela retiram sua sobrevivência. Além de suas atividades econômicas devemos nos sensibilizar para sua visão de mundo, sua política, sua cultura, modos de enxergar a vida que são próprios deles. Essa sensibilidade deve ir além, sejamos capazes de reconhecer que apenas sua permanência nesses lugares possibilita preservação do eco-sistema em seu redor. Façamos isso, não por nós, mas por nossas crianças e lembremos que uma longa caminhada começa com um simples primeiro passo.



...



Tá afim de trocar isso por um
muro de concreto?
Utopia do Vale do Chopim

Acordei dum pesadelo,
e vi que Belo Monte é aqui,
pisaram as flores com desprezo,

o capitalismo com ganância sorri,

Pro capital fica agora uma resposta,
É Bosi, É Carletto, é Ruzza, é Carcará, 
Queremos o verde, não queremos essa bosta ($$),
Sou a araucária que grita: a resposta é RESISTÊNCIA JÁ!

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

A espetacular história do fuzil de um tiro só: a arma que abateu a luz vermelha do Banhadão da Catuaba


A ação da milicaiada era destaque na capa daquele jornal semanal que circulava em 1966. “Exército fecha antro da imoralidade em Marmeleiro”, dizia a manchete em letras garrafais, bem no centro da página. A notícia dava conta da repressão feita cinco dias antes à Geni Drynks, famosa casa de prostituição e divertimento que funcionava no conhecido “Banhadão da Catuaba”, na saída pra Beltrão.

Lembre o caro leitor que esta era época em que estava em execução a famosa “política de desenvolvimento, cacete e cadeia”, adotada pela dita-cuja. A notícia mais era um factoide para reforçar a imagem institucional das Forças Armadas e mascarar as reais motivações dos eventos.

O caso noticiado não foi violento, segundo a versão oficial. De acordo com a redação, apenas um tiro foi disparado nessa ação. A bala saiu do mesmo fuzil que recentemente foi roubado por dois peleguinho-oreia-seca de dentro do quartel.

Após anos de silêncio – e sensibilizado pela ação militar que hoje acontece nas ruas de capital do Sertão – um dos combatentes do episódio resolveu abrir a boca e expor sua versão do fato. Ao custo de três doses de Bitter Águia, o véio do maior bigode da região, que pediu anonimato, revelou que a milicaiada era tudo amiga do putedo do banhadão; e duma amizade por demais liberal, diga-se de passagem.

Diz que a repressão foi arquitetada pelo tenente Curió, comandante do quartel. Esse mesmo Curió, um dos únicos brasileiros da época a ter as partes íntimas com uma tonalidade lilás, era frequentador de ocasião da Geni Drynks, tendo, inclusive, preferência no uso do Gabinete, local reservado à gente do alto escalão da sociedade.  

Numa noite festiva em que o Gabinete reunia as mais altas patentes militares, cargos públicos e ordenações sacerdotais, o putedo extorquiu pareio. Rameira de longa data e a esta altura aposentada do ofício de meretriz, Geni só tinha por amante oficial o dito Curió. Ela era a fonte que o passarinho bebia e se banhava e fazia o escambau. Mas essa gringa de pequenos olhos e rechonchudas curvas era esperta pros negócios. O abuso nos preços das meninas, bebidas e quarto era prática comum nestes locais.