Numa propriedade da Linha Farroupilha, em Beltrão, o tempo passa numa intensidade diferente dos centros urbanos. Não é o tempo ditado pelos apitos das fábricas, nem aquele definido pelo relógio. Mas sim o regido pela natureza, mãe e madrasta de dona Piedade Oliveira, uma distinta senhora que tendo vivido suas 60 primaveras, ainda tem por costume acordar quando o sol nasce e dormir assim que ele se põe.
Dona Piedade talvez nunca tenha escutado aquela música do João Lopes que diz que “a gente que nasceu no mato no mato tem que morar”; mas é a personificação da letra do “Bicho do Paraná”. Esta senhora conserva ainda os últimos resquícios da vida cabocla, andando descalça pela casa de chão batido, guardando a Semana Santa e produzindo somente “pro gasto”. Ela é a única remanescente dos Taquarianos que ainda cultiva a secular cultura da gente do sertão sudoestino, um habitante intermediário entre o “indígena selvagem” e o “colono civilizado”, segundo as interpretações de gente entendida no assunto.